Header
     
  Si tiene problemas para visualizar correctamente este e-mail haga click aquí  
 

Prof. Dr. Augusto Salazar Leite (1904 – 1986)

 
 
4to Presidente del CILAD
 
     
 

Lisboa. Década de 50. A micoteca do Instituto de Higiene e Medicina Tropical instalada no edifício da Cordoaria Nacional é uma das mais extensas e completas da Europa. Inclui preparados, desenhos, microscopias e fotografias de uma vasta coleção de cepas micóticas procedentes de vários continentes. Seu iniciador é o Dr. Augusto Salazar Leite, Professor de Dermatologia e Micologia, que logrou aumentá-la e enriquecê-la graças a suas relações internacionais e inúmeras missões sanitárias nos territórios portugueses de ultramar (1).

Dr. Salazar LeiteNasce em 1904 na Ilha de São Nicolau da colônia de Cabo Verde onde seu pai o Dr. João Leite –médico militar- estava a serviço. Em 1931 se forma de médico em Lisboa para se especializar em Medicina Tropical nos Hospitais Civis dessa cidade (2). Logo depois viaja a Paris para se aperfeiçoar em micologia junto ao Prof. Langeron e concorre ao Hospital de Saint Louis onde aprofunda seus estudos de dermatologia com o Dr. Rivalier. Sucedem-se novos ciclos de aperfeiçoamento no Instituto Pasteur de Algeria, Londres, Âmbares e quando regressa a Lisboa freqüenta os serviços de Dermatologia dos Dres. Álvaro Lapa e Caeiro Carrasco (1).

É deste modo como em 1939 obtém por concurso o primeiro lugar para Médico Analista dos Hospitais Civis de Lisboa e ingressa no laboratório de Análise Clínicos do HospitaRevisa ILAl de Santo António dos Capuchos (2). Nessa época o nomeiam Professor Auxiliar e depois de um tempo Professor Efetivo da 5ta Cátedra de Dermatologia e Micologia do Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Desde ali começa a organizar numerosas missões sanitárias a África subsariana que se refletem em dezenas de trabalhos científicos que tratam fundamentalmente sobre micoses tropicais, treponematose e lepra (1,3,4).

Estes temas, compartilhados com seus pares da América Latina e Espanha o vinculam ao Colégio Ibero-Latino-americano de Dermatologia. Durante o II Congresso CILAD realizado em Madri em 1953 é nomeado Vice-presidente do Colégio e três anos depois, no III Congresso no México é eleito Presidente do CILAD para o período 1957 - 1959. São vice-presidentes os Dres. Luis Pierini (Argentina), Oswaldo Costa (Brasil), Xavier Vilanova (Espanha) e o acompanha o Dr. Francisco da Cruz Sobral na Secretaria Geral (5,6).

Durante sua gestão leva a cabo uma profunda reestruturação institucional. O CILAD, que até aquele momento era um agrupamento de sociedades dermatológico com um estatuto provisório, organiza-se em base com a associação de seus membros e não de entidades intermédias. Aprova-se uma mensalidade anual o que lhe outorga independência financeira. Dota o Colégio de sua primeira secretaria fixa com residência oficial na Av. Da Liberdade 90 de Lisboa (5,6). Cria a revista Dermatologia Ibero-Latino-americana, que se constitui no primeiro órgão de difusão oficial, com o fim de difundir e preservar o acervo dermatológico dos países hispano e luso falantes.

 
 

Embora os recursos institucionais não sejam em princípio suficientes para este projeto, não Lisboa 59tem dúvida de sufragar em pessoa os primeiros números desta publicação de aparição semestral (7). Estas propostas são aprovadas em Assembléia Geral no marco do IV Congresso CILAD que preside nas cidades de Lisboa e Coimbra em maio de 1959 (5,6). A propósito, lembra um colega: “Na mesma Lisboa fizemos, Diretiva entrante, a primeira reunião. Nesta tivemos a primeira e grande surpresa: O Professor A. Salazar Leite, Presidente anterior, entregou para cada um de nós o primeiro número, com magnífica apresentação, da Revista do CILAD, intitulada Dermatologia Ibero-Latino-Americana, financiada por ele em sua totalidade. A. Salazar Leite, além de ter sido um grande Dermatologista, era uma pessoa de extraordinária qualidade humana” (8).

Sendo Diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e perito de lepra da OMS continua com suas campanhas sanitárias que o levam para as ilhas de Cabo Verde, Guine Bissau, Angola e Moçambique. Começa realizando uma análise exaustiva da população, as vias de comunicação, o estado real da ocupação sanitária das diferentes regiões. Sua experiência neste campo o leva a introduzir mudanças decisivas: brindar assistência social e familiar com melhoras na moradia e alimentaçãoCampaña, ajuda econômica e trabalho compatível com os doentes, além de uma campanha educativa. Estrutura-se nas áreas endêmicas uma rede de postos sanitários com unidades móveis conectadas com os hospitais regionais que se fundam no tratamento ambulatório com dapsona. Consegue que os pacientes que antes procuravam se esconder assistam espontaneamente a se registrarem nos censos. Eles mesmos reconhecem as vantagens dos novos tratamentos e se convertem por sua vez em ativos elementos de propaganda das campanhas (9,10). Publica em Dermatologia Ibero-Latino-americana: “se quiséssemos fazer uma apreciação geral, poderíamos dizer que, graças ao atual sistema, estão em tratamento, em toda a África ao sul do Saara, mais de um milhão de indivíduos” (9). Estas campanhas se realizam durante vários anos nos quais é membro da delegação portuguesa da ONU e Vice-presidente da Comissão Técnica e Científica da OTAN (1).

Seu acionar não se limita à medicina já que se dedica durante muitos anos ao Sportingmovimento rotário, sendo presidente do Rotary Clube de Lisboa, Governador Distrital do Rotary e chegando finalmente a ser membro da Direção do Rotary Internacional (11).

Por último, nenhuma descrição seria completa se não se mencionasse seu interesse pelo esporte, em especial o futebol ou a paixão pelo seu clube onde também chegou a ser presidente: o Sporting Clube de Portugal (12). 

 
  Dr.Dante Chinchilla  
     
 


 
     
 
 

Bibliografía

1. a Cruz Sobral F. In Memoriam. Professor Doutor Augusto Salazar Leite. Trab Soc Port Derm Ven 1987; 45: 72-73.

2. Fernandes Rodrigues J C. A Dermatologia e os Hospitais Civis de Lisboa. Trab Soc Port Derm Ven. 1996; 54: 5 – 21.

3. Lima Carneiro A. Ten years of invetigation about mycopathology in Portugal (1938-1948). Mycopathologia. 1950 Mar 25;5(1):91-4.

4. Salazar Leite A. Missão de combate à lepra. Boletim geral do ultramar 1952; 27 (322): 113 – 114.

5. Da Cruz Sobral F. Fundação e evolução organica do CILAD. Relato del Secretario General Tesorero Vitalicio. Asamblea General 1971. En:  Colegio Ibero Latino Americano de Dermatología (CILAD). Historia, Reglamentos, Directorio. Buenos Aires: CILAD, Mayo 1987, p17 – 21.

6. Gatti CF, Chinchilla D. Libro de Oro, Historia Ilustrada del CILAD. Med Cutan Iber Lat Am 2005; 33 (Supl. 1).

7. Gay Prieto J. Comentarios al Presidente del CILAD. Med Cutan Iber Lat Am. 1973; 2: 167.

8. Scannone F. Colegio Ibero-Latino-Americano de Dermatología (CILAD). En su: Historia de la Dermatología en Venezuela (desde los indios hasta 1990). Caracas: Cromotip, 1990, p. 366-376.

9. Salazar Leite A, da Cruz Sobral F. La campaña antileprosa en el África al sur del Sahara particularmente en los territorios ultramarinos portugueses. Dermatol Iber Lat Am 1960; 1: 81 – 88.

10. Salazar Leite A, da Cruz Sobral F. Epidemiología e combate à lepra em Cabo Verde. Med Cutan Iber Lat Am 1974; 2: 123 – 126.

11. Rotary International. Distrito 1960 Portugal. Guia Distrital 2007-8 [Página web]
http://www.rotaryolivais.org/files/guiaDistrital0708s.pdf [Con acceso el 02-12-2007]


12. Centenario Sporting Clube de Portugal [Página web]
http://www.centenariosporting.com/index.php?content=467 [Con acceso el 19-11-2007]